O Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado em 28 de janeiro, reforça a importância de conscientizar indivíduos e organizações sobre o uso responsável e seguro das informações pessoais. Em um cenário de crescente digitalização e de iniciativas que exploram dados biométricos sensíveis, como a “venda da íris” promovida pela World, os desafios para garantir privacidade e segurança se tornam cada vez mais complexos.
World e a venda da íris
Nas últimas semanas, o Brasil foi palco de discussões acaloradas sobre a chegada do projeto da World, liderado por Sam Altman, CEO da OpenAI.
O projeto tem o propósito de diferenciar humanos de Inteligências Artificiais, a fim de prevenir fraudes e garantir interações digitais mais seguras. Na prática, a pessoa interessada em registrar sua íris vai até um dos 38 pontos de verificação, escaneia seu olho em uma Orb – um dispositivo desenvolvido pela startup Tools For Humanity, e recebe uma quantidade de criptomoedas chamadas Worldcoin tokens (WLD).
Porém, é preciso refletir se compartilhar um dado tão único realmente vale a pena. Até o momento, 10 milhões de pessoas ao redor do mundo já aderiram à iniciativa, incluindo 115 mil brasileiros apenas no primeiro mês.
O que parece ser uma oferta vantajosa levanta sérias preocupações. A íris é uma informação biométrica única e imutável, tornando-se um alvo de alto valor para cibercriminosos. Uma vez comprometida, esse dado pode ser explorado para roubo de identidade e fraudes sofisticadas.
Para Rodrigo Rocha, nosso Gerente de Arquitetura de Soluções, “as pessoas precisam entender qual será a destinação desse dado e ver se essa empresa está obedecendo às regulamentações de proteção de dados (GDPR e LGPD, por exemplo). Quem está vendendo os dados precisa ter ciência de que está fornecendo um dado pessoal que não é possível de alterar. A íris, uma vez comprometida, pode ser utilizada para fraudes e roubo de identidade.”
O valor dos dados pessoais
Essas informações são usadas por empresas para personalizar serviços, mas também podem ser exploradas de forma maliciosa. De acordo com um relatório da IBM Security, o custo médio de uma violação de dados globalmente foi de US$ 4,88 milhões em 2024. Um aumento de 10% em relação ao ano anterior e o total mais alto de todos os tempos.
Esse dado reforça a necessidade de medidas proativas para proteger informações sensíveis.
Dicas para proteger seus dados
1. Eduque-se sobre privacidade
Compreender como os dados são coletados e usados é o primeiro passo para se proteger. Leia as políticas de privacidade de serviços que você utiliza e busque informações sobre a legislação vigente, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil.
2. Use ferramentas de proteção digital
- Antivírus e firewalls: esses softwares ajudam a bloquear ameaças e acessos não autorizados.
- Gerenciadores de senhas: geram e armazenam senhas seguras de forma criptografada.
- VPNs (Virtual Private Networks): garantem privacidade ao mascarar o endereço IP e criptografar dados de navegação.
3. Mantenha seus dispositivos seguros
- Atualizações frequentes: instale atualizações de sistema operacional e aplicativos para corrigir vulnerabilidades.
- Senhas fortes: combine letras, números e símbolos, e evite usar informações óbvias como datas de aniversário.
- Autenticação em dois fatores (2FA): adicione uma camada extra de segurança exigindo um código adicional para acessar contas.
4. Desconfie e verifique
- Links e e-mails suspeitos: nunca clique em links desconhecidos ou forneça dados por e-mail.
- Autenticidade de apps: baixe aplicativos apenas de lojas oficiais e verifique permissões solicitadas.
- Cuidado com redes Wi-Fi públicas: prefira redes privadas ou use VPN ao acessar Wi-Fi público.
5. Gerencie suas configurações de privacidade
- Permissões de apps: desative permissões desnecessárias, como acesso à localização ou câmera.
- Controle de cookies: configure navegadores para bloquear cookies de terceiros e limpe o histórico regularmente.
A Importância da conscientização
Proteger seus dados não é apenas uma questão de evitar problemas financeiros ou invasões de privacidade, mas também de preservar sua identidade no mundo digital. Investir em educação, ferramentas de segurança e boas práticas é fundamental para navegar com tranquilidade e evitar se tornar vítima de crimes cibernéticos.
A privacidade é um direito de todos, mas a proteção começa com você. Ao adotar medidas simples e eficazes, você reduz vulnerabilidades e contribui para um ambiente digital mais seguro para todos.
Se este artigo foi útil para você, inscreva-se na nossa newsletter para receber em primeira mão conteúdos exclusivos sobre cibersegurança.
Acesse também nossas redes sociais:
Acesse também nossas redes sociais: